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Palavreando #3: LULA, O SOCRÁTICO

O ex-presidente Lula possui uma retórica embasada em Sócrates. Não o antigo craque corintiano, mas o filósofo grego. Ainda que não saiba disso, enreda seus adversários em argumentos imbatíveis e subliminares que pouco a pouco vão tirando o foco do interlocutor. Foi assim com Sérgio Moro. Passou raiva no Moro o interrogatório inteiro, foi o pesadelo do juiz de Curitiba. Fez marketing eleitoral no velório da esposa. Agora usa a prisão para ir tirando o foco daquilo que não explica, daquilo que na verdade o complica, e vai enrolando e causando pena em uma parcela indecisa do eleitorado, além da devoção religiosa que sempre causou em  seus companheiros de PT. Mas os fatos, ele não explica, foge deles como orador eloquente que é. Vamos aos fatos, então:

Lula e sua defesa não conseguem explicar porque o ex-presidente por pelo menos uma vez, e sua finada esposa Dona Maria por duas vezes (comprovadas) estiveram no apartamento tríplex do Guarujá dando pitacos e solicitando explicações sobre a reforma do imóvel. O ex-presidente chegou a ser fotografado dentro do apartamento em obras. Alguém visita obras em um apartamento que não é seu e que não está interessado em adquirir?

Também não há explicações plausíveis no discurso político ou na defesa do nosso réu famoso sobre as tratativas – diversas – com corretores e funcionários da imobiliária que intermediou reformas e transferência do imóvel e a finada primeira dama, a saudosa Dona Marisa Letícia. Também nunca ouvi falar de conversas com corretores e intermediários sobre imóveis que não se irá adquirir.

Lula não sabe explicar porque o porteiro do condomínio do tríplex dizia o tempo todo, e repetiu isso na imprensa e para a polícia, que Lula era o proprietário do apartamento de cobertura. Nosso ex-presidente não toca no assunto. Faltou chamar o porteiro, que aliás foi despedido, de “coxinha”.

Em momento algum Lula justifica porque o sitio em Atibaia era tão frequentado por ele e seus familiares mais próximos, semanas seguidas, e insiste em dizer  que era um sítio de “amigos” – que no entanto negam esta condição e afirmam, ao contrário, que não emprestaram sitio coisíssima nenhuma. Cederam o bem em troca de favores políticos.

Um dos recibos arranjados por Lula para justificar suas aquisições imobiliárias data de uma data inexistente . Um dia 31 em um mês que só possui 30 dias. Sua defesa afirma se tratar de mero “erro material”. O recibo seria do pagamento de aluguéis – o proprietário do apartamento nega que o tenha alugado e o Ministério Público afirma a falsidade dos recibos. O ex-presidente se cala e nada diz. Prefere apelar  para o coração e a alma dos brasileiros sofridos.

Os pedalinhos no lago artificial do sítio de Atibaia levam os nomes dos netos de Lula. Que bonito! Que amigos prestativos que, além de emprestar tantas vezes um lugar tão paradisíaco, ainda deixam a família batizar os pedalinhos com os nomes das crianças do clã Lula da Silva. Ele também não toca neste assunto, como também nada diz sobre os presentes que ganhou quando era nosso chefe de estado e que estavam armazenados por lá.

Lula teria lastro financeiro para comprar tanto o sítio quanto o tríplex. Recebe salário vitalício como ex-presidente da república, além de remunerações do PT e do Instituto Lula, sem contar, é claro, de sua remuneração pelas palestras que (segundo ele) dá ao redor do mundo. Por que não afirmou que comprou os imóveis? Por que, se comprou, não registrou em seu nome? Por que comprar imóveis justamente de uma empreiteira e de empresários beneficiados pelo governo PT? Que coincidência, hein?

Por falar em palestras, estamos em um mundo globalizado. Tudo está no You Tube e nas redes sociais. Achem, por favor, uma palestra – uminha só que seja – do Lula. Estou falando de palestra, não de discurso ou de palanque político. Não há. Que estranhas palestras são essas que ninguém viu e ninguém filmou?

E as coincidências não param aí. Curiosamente, em todo lugar onde o ex-presidente palestrou suas empreiteiras amigas o sucederam com contratos governamentais milionários. Puxa, como o mundo é pequeno, não? Nesse assunto ninguém do séquito lulista toca. Preferem o discurso das massas, que ainda comove.

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